

Eu sou a Anna, tenho 23 anos, sou casada e não tenho filhos. Sou auxiliar de escritório, mas tive que me afastar pelo INSS há 2 anos
Fui diagnosticada com fibrose pulmonar em 2023, após uma longa internação que tive em 2021, quando descobri uma doença autoimune, o lúpus. Tive uma dificuldade com o diagnóstico porque até então pensavam que os sintomas pulmonares poderiam ser sequelas da internação prolongada, alguns médicos inclusive diagnosticaram como asma. Mas com a comparação de exames, uma piora que apresentei e com uma médica especialista em doença pulmonar intersticial, conseguimos fechar o diagnóstico correto.
Quando eu descobri a doença, tentei levar da maneira mais leve possível, porém o barco virou quando tive que começar a usar oxigenioterapia domiciliar e, mais ainda, quando descobri que provavelmente irei passar por um transplante pulmonar. Para mim, foi um turbilhão de sentimentos.
Aprendi a ser mais paciente, porque as coisas não são no meu tempo. Aprendi a dar valor em cada conquista diária, nos mínimos detalhes. A doença me transformou e aprendi, apesar das dificuldades diárias, a enxergar o mundo de uma outra forma.
Eu tenho uma família muito grande, mas são poucos que me apoiam nessa luta constante. Quem está sempre ao meu lado me apoiando é meu marido e minha vizinha.
Minha equipe médica é excelente, 90% do meu tratamento é pelo SUS e os profissionais são excelentes. Faço acompanhamento com reumatologista, pneumologista e psiquiatra. Nunca tive uma reclamação desses que me acompanham já há alguns anos.
Tenho acesso a grande parte do tratamento. Já precisei buscar algumas vezes na justiça, principalmente em questão de remédios que o Estado se negou a fornecer por conta da minha idade.
Meus maiores sonhos são coisas que parecem simples: respirar sem dificuldade, rir até a barriga doer (sem sentir falta de ar), fazer uma trilha, ver o nascer do sol na praia e ter filhos.